sábado, 28 de novembro de 2015

Saturnino de Brito e os canais de Santos


Foto: Nilo Piccoli
foto: Ilza Joaquim
Foto: Flavia Gomes
 

No final do século XIX, Santos era uma cidade doente: epidemias, endemias e todo o vocabulário relativo a doenças contagiosas tinha vez nesta terra, por conta dos mosquitos que proliferavam nos extensos pântanos onde hoje fica a Zona Leste (Campo Grande, Macuco, Ponta da Praia, por exemplo) e se encarregavam de transmitir doenças trazidas pelos tripulantes dos inúmeros navios que aportavam no ainda não construído cais santista.

Sujeira, lixo, fezes de animais, cocheiras infectas, o clima quente e úmido, contribuíam para a insalubridade da região e para que, a cada instante, uma doença transmissível matasse até metade da população, ou afugentasse todos os que tivessem a oportunidade de sair dessa urbe. O Centro deixava de ser a zona de luxo, surgindo a tendência do deslocamento populacional para a Vila Nova e logo depois, para as praias, onde o clima era melhor. Entre 1890 e 1899, dos nossos 50 mil habitantes, 22 mil pessoas morreram. Foi nessa época que começaram a ser delineados os projetos urbanísticos de Santos, destacando-se então o trabalho do engenheiro sanitarista Francisco Saturnino Rodrigues de Brito. Vindo do Rio de Janeiro, o engenheiro sanitarista pôs fim ao problema do saneamento básico na Cidade de Santos.

Foto: Alexandre Andreazzi
Foto: Adriano Azevedo

Foto: Marcos Comune

De 1905 a 1912, Saturnino de Brito desenvolveu o programa de saneamento, baseado no princípio de separar as águas de rios e córregos das do esgoto. O Canal 1 foi o primeiro a ser inaugurado em 1907, tendo apenas um pequeno trecho no bairro do Paquetá. Em 1910, ele foi completado e foi aberto também o 2. O 6 veio em 1919, o 3 e o 4 em 1923 e o 5 em 1927.

Na verdade, o projeto de Saturnino de Brito inclui a construção de um total de nove canais superficiais (os seis da orla, aquele próximo ao Orquidário, o da Rua Moura Ribeiro, no Marapé, e outro da Rua Francisco Manoel, no Jabaquara). Ainda tem os subterrâneos, entre eles, um na Rua Brás Cubas, no Centro. A Prefeitura completou o sistema de drenagem com os canais 7 (1968), o do final da Avenida Afonso Pena e o da Jovino de Melo, na Zona Noroeste. O que quer dizer que, só de Saturnino de Brito, herdamos nove canais superficiais e, do Poder Público ganhamos três. A olhos vistos são 12 em toda a Cidade.

Foto: Alexandre Andreazzi

Foto: Marcos Cabaleiro

Foto: André Jaconi

Foto: Laura Pedrido

Foto: Nilo Piccoli

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