sábado, 24 de agosto de 2013

Seo Lili, o talentoso.

Luiz Fernandes, mais conhecido como Seo Lili, nasceu na cidade de Santos em 1917. Morou por toda a sua existência no bairro do Marapé e faleceu em junho de 1996. Era o filho do meio do sr. Pedro Luiz Fernandes, africano de Cabo Verde, e Francisca Angela Pinto, uma mineira de muita fibra. Aposentou-se como ajustador da Companhia Docas, onde trabalhou por mais de 40 anos.

Foi autodidata, exímio violonista com o sete cordas, contrariando seu pai, que pregava ao filho os valores do trabalho árduo e as desilusões da vida boêmia. Seo Lili teve como sentido de vida a música que se materializava nas rodas de choro promovidas em seu chalé nas proximidades de um grande bambual. Ali se apresentavam os grandes músicos da cidade, que formavam blocos carnavalescos tais como Vai quem Quer, Os aborrecidos, Cantinho do céu, Turunas do Marapé e Bloco do Urso. Manteve por muitos anos o seu próprio conjunto musical com o nome de Regional do Lili. Nos anos 50 acompanhou vários artistas que se apresentavam em rádios e clubes da cidade, como Silvio Caldas, Orlando Silva e Jamelão. Quando de férias de seu trabalho, ia regularmente ao Rio de Janeiro com seus parceiros inseparáveis Toninho Barbeiro e Nenê. Lá frequentavam a Rádio Nacional, Tupy e Mayrink Veiga, tocando com grandes artistas ao vivo e encantando a todos com seu indiscutível talento e intimidade com o instrumento.

Em 1992, recebeu como homenagem do então prefeito de Santos, sr. Osvaldo Justo, e do cantor Luiz Américo, de quem foi professor, um lindo violão. Este evento foi realizado no curvão do Canal 1, em frente do “Vila Henedina”, um dos clubes mais tradicionais do Marapé, ali onde outrora as rodas de choro cortavam a madrugada. Também foi homenageado em 1995, quando da realização da Rua do choro e da seresta, em frente ao
Ouro Verde F.C., evento tradicional da cidade santista. Seo Lili foi emérito mestre do violão e do cavaquinho e é com muito carinho lembrado pelos amantes do samba e do choro que tiveram a felicidade de presenciar o talento e o virtuosismo de um instrumentista memorável. Salve a cultura popular!

Por Vítor Hugo




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