terça-feira, 12 de março de 2013

Santos, a cidade onde o sonho de Chorão começou

                                                                                         Nasi e Chorão no Bikkini Barista (Festa da Kiss FM)
Na música, o escritório é na praia, mas o ponto de observação era a varanda de seu apartamento, no Canal 3, próximo à orla. Era dali que ele gostava de apreciar o sol se pondo acima da linha do horizonte, no ponto onde o céu encontra-se com o mar da cidade que ele tanto amava. Alexandre Magno Abrão, o Chorão, nasceu em São Paulo, mas era apaixonado por Santos, para onde se mudou ainda na adolescência com a família, e enalteceu as virtudes da cidade talvez como nenhum outro artista da terra.

Ele falava de Santos pelos palcos do país e do mundo, usava cenários da cidade - como o píer da praia do José Menino e a pista de skate - como locações dos clipes de sua banda, a Charlie Brow Jr, e, quando estava por aqui, fazia questão de viver o dia a dia dos moradores, sem as afetações esperadas de um ídolo do rock. 
Aqui era seu porto seguro, era para onde voltava sempre que abria uma brecha na agenda. A ex-esposa, a estilista Graziela Gonçalves, é quem conta: ele gostava de pegar o ônibus seletivo no Canal 3 para ir até a sua pista de skate, na rua Almeida de Moraes, na Vila Mathias. Também ia a pé até o Restaurante Komuru, na Rua da Paz, onde costumava comer sushi. Vez ou outra era visto nas areias do Boqueirão, misturado a outros banhistas. 

À noite, contrariando o espírito rebelde e juvenil revelado em suas letras, que arrebanhou uma legião de fãs entre os adolescentes, Chorão fazia o tipo caseiro. "Ele gostava mesmo era do conforto do lar, de ficar em casa, alugar um filme e pedir comida", diz Graziela.  Por falar nisso, Chorão fazia o tipo glutão: "ele gostava de comer e ponto. Comia de tudo, sushi, massas, churrasco, que adorava", comentou com carinho a estilista. O casal gostava de frequentar o Restaurante Rufino´s, no Guarujá.

No enterro do cantor, encontrado morto na terça-feira (5), Graziela divulgou uma carta de amor, agradecendo a Deus o privilégio de ter dividido a sua vida com ele por quase 20 anos. O casal se conheceu na década de 90, quando a banda ainda engatinhava e não tinha alçado o sucesso. Para divulgar os shows, Chorão ia à praia distribuir convites. "A gente trocou olhares de manhã na praia e à noite eu fui ao show no Gran Finalle, quando nos conhecemos", conta, referindo-se a uma antiga casa de shows que existia no José Menino, no prédio do Universo Palace.

Naquela época o músico ainda frequentava a pista de skate da Praça Palmares, no Embaré, mas depois não mais, lembra a estilista. Algumas vezes ia ao píer no José Menino, mas gostava mesmo era de estar em seu espaço Chorão Skate Park, aberto em 2006. "Ele também gostava de pegar o carro e dar uma volta na praia e às vezes andar de bike na ciclovia". 

Chorão não tinha uma turma na cidade.  "O contato era mais com o pessoal da banda e da pista de skate", lembra Graziela. Diferente de outros ídolos da música, o artista não se incomodava com o assédio do público, por isso andava de forma tão despojada nas ruas. "Ele tinha orgulho do assédio, interpretava isso como reflexo do sucesso de seu trabalho, uma prova de amor do público. Gostava muito do estilo de vida praiano, largado".

Para a prima de Chorão, a apresentadora de TV Sonia Abrão, a paixão ligava o músico a Santos. "Era o lugar onde o sonho começou e onde o sonho se realizou. Era um paraíso para ele".

Fonte: Jornal da Orla/Mirian Ribeiro

1 comentários:

Anônimo disse...

Chorão Eterno <3

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