quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Instituto "Dona Escolástica Rosa" e seu idealizador João Octávio dos Santos

       Nascido em Santos, em 08 de março de 1830, João Octávio dos Santos era filho bastardo de Escolástica Rosa, ex-escrava do Conselheiro João Octávio Nébias, que o balizou e cuidou de sua educação, ensinando-lhe as primeiras letras e noções de aritmética. Mais tarde, o padrinho encaminhou-o também nos negócios.


            Muito inteligente e de grande visão para o comércio, o jovem mulato foi acumulando fortuna, tornando-se um dos pioneiros no ramo de exportação de bananas aos países vizinhos e na importação de trigo da Argentina. 

            Participou da política local e exerceu vários cargos públicos até a proclamação da  República. Suas ações sempre estiveram direcionadas em favor dos mais empobrecidos.  Atuou também como Provedor da Santa Casa de Santos por mais de vinte anos. Aos 69 anos,  sentindo que sua saúde estava frágil, fez um testamento a fim de dispor de sua fortuna, visto ser solteiro e não ter herdeiros diretos. Legou parte de seus bens à Santa Casa; e outra, à construção de um Instituto Educacional que abrigasse meninos pobres e órfãos. Previdente,  para que nada faltasse a essas crianças e para que vivessem independentes das benesses  públicas, deixou setenta e quatro imóveis, cujos aluguéis deveriam cobrir as despesas com pessoal, alimentação e manutenção da escola. Nomeou o senhor Júlio Conceição seu testamenteiro e responsável pela execução e instalação do Instituto, que após concluído  passaria a ser mantido pela Santa Casa de Misericórdia.


             O local escolhido para a construção do prédio foi a Chácara da Barra ou do Ramal da  Ponta da Praia, uma das propriedades de João Octávio dos Santos, localizada na orla marítima.  A obra foi projetada pelo escritório do Dr. Ramos de Azevedo, engenheiro de grande prestígio  junto à burguesia paulista. Ergueu-se então um edifício majestoso, em estilo neoclássico, e  que seguia os mesmos princípios adotados nas construções dos hospitais: em três corpos,  para garantir a circulação do ar e a salubridade. O internato recebeu o nome de sua mãe - Dona Escolástica Rosa - e o próprio doador elaborou um estatuto que orientava todos os setores da vida do Instituto. Determinava que ali  fossem atendidos os meninos de bom comportamento, órfãos ou filhos de pais pobres;  maiores de nove anos e menores de catorze; e que lhes fosse assegurado educação, cultura  geral e uma profissão. O prazo para a educação de cada aluno era de quatro anos e, na  admissão, ele recebia enxoval completo, incluindo uniformes diários e de gala. Ao diretor impunha que residisse no local, juntamente com alguns professores e funcionários.


            João Octávio dos Santos faleceu em 09 de julho de 1900. Uma urna com seus restos  mortais foi colocada dentro de um monumento-mausoléu, erguido no pátio central da escola.  O Instituto "Dona Escolástica Rosa" foi inaugurado em 1° de janeiro de 1908,  quase oito anos depois de sua morte.




6 comentários:

Je_stos disse...

Muito bom saber um pouco da história da nossa cidade ;)

A Tribuna disse...

O prédio que abriga a Escola Técnica (Etec) Dona Escolástica Rosa será renovada, na Avenida Bartolomeu de Gusmão, nº 111, na orla da Aparecida.

A Companhia Paulista de Obras e Serviços foi contratada para fazer o projeto de restauração do edifício e também do reparo na infraestrutura (instalações elétrica e hidráulica).

A conclusão do projeto arquitetônico que resultará no restauro está prevista para dezembro. Como a unidade é tombada, o projeto necessitará do aval do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat).

Posteriormente às aprovações, o Governo Estadual elaborará o orçamento e abrirá o processo de licitação para definir a empresa que executará as obras na unidade.

Os serviços devem começar no início de 2013. Hoje, a Etec Escolástica Rosa abriga 1.270 alunos matriculados nos cursos técnicos de Administração, Contabilidade, Metalurgia, Nutrição e Dietética, Secretariado e Segurança do Trabalho.

A assessoria de imprensa do Centro Paula Souza informa, por meio de nota, que as obras não devem resultar na interrupção das aulas. “Áreas devem ser isoladas pontualmente”, atesta o documento.

UniSantos

Por meio de um convênio celebrado entre a Companhia Paulista de Obras e Serviços e a Universidade Católica de Santos (UniSantos), o projeto arquitetônico será elaborado por sete professores e 13 alunos das faculdades de Arquitetura e Urbanismo (10 universitários) e Engenharia Civil (três).

Ontem, parte da equipe se apresentou à direção da Etec. “O objeto é elaborar um projeto capaz que resgatar as características antigas deste belo prédio, compatibilizando sua estrutura às exigências contemporâneas de segurança”, explica a coordenadora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (Faus) da UniSantos, Leila Regina Diegoli.

Segundo ela, além de contemplar a adequação das redes elétrica e hidráulica, o projeto visará restaurar a fachada e o interior da edificação de arquitetura neocolonial.

“Originalmente, o prédio tinha uma arquitetura de características ecléticas (reunião de vários estilos arquitetônicos). Ao longo de sua trajetória, a arquitetura do casarão foi moldada ao estilo neocolonial, que é uma releitura do estilo colonial”, explica a coordenadora da Faus.

O traçado arquitetônico original do prédio foi elaborado pelo renomado engenheiro e arquiteto Ramos de Azevedo, autor do projeto que originou a construção do Teatro Municipal de São Paulo, representante do estilo colonial,

maria dos Anjos disse...

É uma noticia maravilhosa!!!Gostaria de saber se a capela também está incluida nesse projeto pois estou fazendo um tcc com proposito de reabri-la a comunidade,é muito triste ver o abandono desse edificio tão importante.

Anônimo disse...

Por que o termo bastardo? filho é filho.

Marcelo Alves disse...

A recordação desta escola , me aflora a alma.Trago recordações , prazerosas desta escola.Lembro-me do professor de educação física MANÉ , gritando para que nosso time jogasse melhor .Recordo do nosso professor de matemática , com seu puma verde, da professora Terezinha , Amigos que , em virtude de minha mudança de cidade e depois de país, não os pude ver mais.Quando olho esta imagens , consigo ainda sentir o cheiro , o toque das pedras , de seu muro baixo.
Retornarei em breve ao Brasil , mas não deixarei de passar pela escola ESCOLÁSTICA ROSA , e deixar as lembranças vagarem.

Paulo Eduardo Orlando disse...

Sou de uma pequena cidade do interior de São Paulo chamada Iepê. Estive nesta escola no ano de 1984 participando do projeto "Interior na Praia". Já se foram 30 anos, e hoje com 44 anos a saudade continua viva em meu coração, foram momentos que marcaram a minha vida que jamais serão esquecidos. A vocês de Santos um grande abraço e cuidem bem dessa linda escola. Um dia voltarei a revê-la.

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