sábado, 30 de abril de 2011

Clube dos Ingleses resiste à proposta milionária de construtora da capital

Alvo da cobiça de grandes construtoras da Capital, o Clube dos Ingleses resistiu a mais uma grande investida do mercado imobiliário. Desta vez, a diretoria disse não a uma recente proposta de compra de R$ 100 milhões feita por uma grande construtora.


O presidente do Clube, Olaf Syrdahl, sequer pensou em negociar a operação. O motivo é simples: “o Ingleses não tem preço”, disse.

Essa não é a primeira vez que a entidade é assediada. De acordo com o ex-presidente Alfredo Lália, outras gigantes da construção civil colocaram os olhos nos mais de 20 mil m2 que compõem a área do clube.

“Ao longo da minha gestão, que terminou esse ano, várias empresas, incluindo a Odebrecht, entregaram cartas de intenção de compra da área”.

Entre 2010 e 2011 foram cerca de 10 contatos. “Em uma delas o projeto não previa construção de torres e mantinha a sede do Clube, porém em outro formato. As negociações não chegaram a começar e nem se falou em valores. Logo depois, meu mandato acabou”.

Para o presidente atual, Olaf Syrdahl, o maior valor do clube não pode ser avaliado matematicamente. Todo este patrimônio está na memória afetiva de centenas de famílias santistas. Lembranças que passaram de geração para geração desde 1889, quando um grupo de amigos ingleses que jogava críquete (esporte britânico parecido com o basebol) na praia resolveu fundar o Santos Atlhetic Club (SAC).

Com o tempo, o SAC passaria a ser conhecido como Clube dos Ingleses, já que era essa a única nacionalidade permitida dos frequentadores até a década de 60.

Preservar intocado esse patrimônio não só físico como histórico é a principal missão de Syrdahl. Ele conta que foi com esse propósito que resolveu se candidatar à presidência.

“Minha relação com o Clube dos Ingleses é muito forte. Fui criado lá dentro. Era como se fosse o quintal da minha casa. Tenho grandes recordações e não permitiria essa venda por dinheiro algum”.

O pai de Olaf, Thom Erik Syrdahl, foi presidente da entidade por quatro vezes. “Eu participava como conselheiro desde 2007”.

Posturas como esta, de manter longe da especulação imobiliária as instalações originais de clubes tradicionais, são raras em Santos.

Recentemente, o Clube Sírio-Libanês divulgou que fechará negócio com a Odebrecht para que na sede da Av. Ana Costa sejam construídas novas instalações do clube, um hotel e um condomínio residencial.

Um outro exemplo é o Clube XV, fundado em 1869, que apesar de continuar existindo oficialmente, dividirá espaço com uma rede internacional de hotéis, no Boqueirão.

Já os antigos Clube Caiçara, fundado em 1958, e Clube de Regatas Santista, fundado em 1893, não tiveram a mesma sorte. O primeiro deu lugar a um empreendimento imobiliário a ser inaugurado no ano que vem. O segundo, demolido no início deste ano, foi alvo de uma disputa judicial entre construtoras.

Fonte: Texto Jornal A Tribuna e Foto Alcione Herzog