sexta-feira, 28 de maio de 2010

VIVER MELHOR em SANTOS

O Pote de Ouro está aqui
       O  mar está para peixe na cidade de Santos. E não apenas por causa da excelente fase dos meninos da Vila Belmiro, campeões paulistas de 2010. Orgulhosos de Neymar, Robinho e Ganso, os santistas vivem um período de efervescência que vai muito além das quatro linhas dos campos de futebol.  Chega aos domínios do porto, o maior da América Latina, em obras de expansão para absorver o volume de movimentações de carga, que deve triplicar até 2024. Atinge um ponto ainda mais distante e profundo: os campos de exploração da camada pré-sal, a exemplo de Tupi, a 300 quilômetros da costa. Impulsionada pela antiga vocação portuária e pela recente atividade petrolífera, com investimento total que ultrapassa a casa dos 5 bilhões de reais, a cidade litorânea vem revertendo o quadro de estagnação econômica no qual esteve imersa por quase três décadas. “É um momento histórico”, acredita o prefeito João Paulo Tavares Papa (PMDB), em segundo mandato. “Voltamos a ter boas perspectivas.” 
      Novos empreendimentos imobiliários transformaram Santos em um canteiro de obras. Bom para seus 430 mil habitantes e para os paulistanos que podem desfrutar o vizinho hospitaleiro, a 80 quilômetros de distância, repleto de bares, restaurantes e passeios turísticos à beira-mar. Ainda mais após a inauguração do trecho sul do Rodoanel, que facilitou o acesso às rodovias Imigrantes e Anchieta. Entre dezembro e fevereiro deste ano, segundo dados da Ecovias, o balneário recebeu 5 milhões de visitantes, a maioria procedente de São Paulo. Há ainda quem chegue por mar. Nesta temporada, passaram pelo terminal de passageiros do Porto de Santos 970 000 pessoas, 27% a mais do que no mesmo período do ano anterior. “Essencialmente comercial, o porto precisou se adaptar aos cruzeiros”, afirma José Roberto Serra, presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). “Agora, é imprescindível viabilizar uma estrutura oficial.” A ideia, em fase de projeto, é criar um cais exclusivo para esse tipo de embarcação e atender ao provável aumento de público causado pela Copa de 2014, no Brasil.

    Outros quatro terminais privados estão sendo construídos e um está em ampliação. Duas dragas importadas da China já trabalham no aprofundamento de todo o canal de navegação para 15 metros (atualmente, são 12,40 metros). Assim, o porto ficará apto a receber navios de grande porte e se tornará mais competitivo no cenário internacional. Mudanças maiores estão por vir. Feito pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento em parceria com a Secretaria Especial de Portos, o estudo de expansão previu a demanda dos próximos quinze anos em três cenários — otimista, pessimista e neutro. “Com a estrutura atual, não atenderemos ao desenvolvimento futuro nem nas condições menos favoráveis, sob pena de prejudicar a economia do país”, avalia José Roberto Serra. Áreas portuárias subutilizadas receberão novos terminais de contêineres e de granéis sólidos e líquidos. Eclético, o Porto de Santos tem como característica exportar e importar de automóvel a soja, passando por suco de laranja. No ano passado, o porto escoou 26,7% de toda a produção brasileira — movimentou 83,1 milhões de toneladas de carga (2,6% a mais que em 2008). 


    Paralelamente às obras internas, há a necessidade de melhorar o acesso ao porto. Outra pesquisa, conduzida por Codesp e USP, identificou os maiores gargalos atuais e os que se apresentarão em breve. Com um trecho liberado para o tráfego, a Avenida Perimetral foi criada para facilitar a chegada dos caminhões aos terminais. Mas a prioridade é transferir a matriz de transporte, essencialmente rodoviária, para a ferrovia. Apesar de importante, o porto já não brilha sozinho em território santista. Há quatro anos, desde a abertura da Unidade de Negócios da Bacia de Santos pela Petrobras, ele passou a dividir espaço com a produção de petróleo e gás. A empresa desembarcou por lá timidamente, com apenas um prédio alugado, ainda antes do burburinho causado pelo anúncio das descobertas do pré-sal. Agora obtém novo status: em 2009, foi anunciada a construção da sede das operações da companhia na área. 
     Por 15 milhões de reais, a Petrobras comprou o terreno de 25 000 metros quadrados onde instalará seu complexo de três torres, no bairro do Valongo. A primeira delas deve ficar pronta em dois anos. Juntos, os edifícios comportarão 6 000 funcionários — atualmente, existem 900 empregados atuando na cidade. No comando das operações está o santista José Luiz Marcusso, funcionário da petrolífera há 27 anos. Ele, que já morou no Rio de Janeiro e na Bahia, retornou à sua terra natal para assumir a gerência geral da unidade. O desembarque da Petrobras no Valongo ajudará a promover a revitalização de um trecho degradado da região central. Nos próximos anos, armazéns caindo aos pedaços devem ser substituídos por empresas do setor de tecnologia. Também nas redondezas, o futuro Museu Pelé ocupará o esqueleto abandonado do imóvel onde já funcionou a prefeitura. A revitalização do prédio é uma das âncoras do programa Alegra Centro, criado sete anos atrás pela prefeitura. De lá para cá, 297 restaurações e reformas foram realizadas em casarões históricos. Em um passeio pela Praça Visconde de Mauá nota-se a convivência harmoniosa de passado e presente: o zum-zum-zum de trabalhadores e os modernos restaurantes contrastam com o bonde escocês de 1910 e com a bonita arquitetura da Bolsa de Café. Cenários diferentes também aparecem na orla. A plataforma do emissário submarino, na Praia do José Menino, ganhou em janeiro de 2009 um parque de 43 000 metros quadrados projetado pelo arquiteto Ruy Ohtake. Belos pontos como esse dividem a atenção dos olhares com os prédios em construção por toda parte. Betoneiras e pedreiros anunciam a chegada de novos empreendimentos em diversos bairros. A Ponta da Praia, próxima à balsa que leva ao Guarujá, é onde há o maior volume de obras em andamento. Ali, o preço do metro quadrado fica em torno de 4 000 reais. “Daqui a seis meses, o bairro terá outra cara”, acredita Paulo Pinheiro, diretor responsável pelos negócios da imobiliária Lopes na Baixada.

Antes fora da lista de prioridades de grandes construtoras e incorporadoras não locais, Santos passou a contar com investimentos de empresas como Helbor, Gafisa, Agre e Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário. “Abrimos um escritório na região em abril”, conta Rubens Júnior, diretor da Rossi. “A cidade atende a todos os quesitos de desejo de moradia: qualidade de vida, economia dinâmica, clima agradável...” Tarefa difícil agora é encontrar terrenos disponíveis. Por isso mesmo, o empresário português Armênio Mendes, do Grupo Mendes, espécie de magnata da região, não se vê ameaçado pela concorrência externa. Dono de construtoras, shoppings e hotéis, ele garante ter nas mãos os melhores terrenos. “São quarenta anos de atuação nesse mercado”, diz. Pertence ao grupo o Prime Plaza Residence, condomínio de luxo em construção na orla do Gonzaga. Com preços a partir de 2 milhões de reais, apenas 40% das 54 unidades ainda estão disponíveis. Por 12 milhões de reais, a cobertura com vista para o mar foi vendida há três meses. “A região pedia um investimento desse porte”, afirma a corretora Desireé Dias. 

Vila Rica e Gonzaga são os bairros mais valorizados de Santos. Em ambos, o preço do metro quadrado subiu até 50% nos últimos três anos — por volta de 5 000 reais, equivalente a Brooklin, Pinheiros e Perdizes na capital. Reivindicações antigas da população começam a sair do papel. Anunciada em março pelo então governador José Serra, a ponte entre Santos e Guarujá custará 700 milhões de reais e desafogará o fluxo da balsa, por onde circulam 24 000 veículos diariamente. “Com tantas mudanças em andamento, nosso grande desafio é ter agilidade, inteligência e eficiência na qualificação de mão de obra”, avalia o prefeito Papa. “É importante que nossos jovens aproveitem as oportunidades.” Se as britadeiras continuarem a todo o vapor, quando os meninos da Vila crescerem poderão desfrutar uma cidade completamente diferente.



CIFRAS DA BOA ONDA:







- 160 milhões de reais é quanto vai custar o novo cais para navios de cruzeiro do Porto de Santos, planejado para atender os turistas da Copa de 2014
- 529 milhões de reais serão investidos na Avenida Perimetral, que facilita o acesso ao porto nas duas margens
- 346 milhões de reais é quanto o processo de dragagem para aprofundamento do canal de navegação consumirá
- 2,9 bilhões de reais estão sendo aplicados na construção de mais quatro terminais de carga no porto
- 15 milhões de reais é quanto custará a implantação do sistema de radares para o controle da navegação na região portuária
- 15 milhões de reais também foi o preço pago pela Petrobras no terreno de 25 000 metros quadrados onde construirá sua central de operações
- 450 milhões de reais é a verba destinada ao programa Santos Novos Tempos, voltado para a população de baixa renda
- 20 milhões de reais serão destinados às obras do Museu Pelé
- 700 milhões de reais é quanto vai custar a Ponte Santos-Guarujá, ainda em projeto
- 136,6 milhões de reais foi o valor que o programa Alegra Centro, para revitalização de prédios históricos, recebeu nos últimos sete anos
Fontes: Companhia Docas do Estado de São Paulo, Petrobras, prefeitura de Santos, Secretaria Municipal de Assuntos Portuários e Marítimos, Secretaria Estadual dos Transportes e Revista Veja

0 comentários:

Postar um comentário

Deixe seu Melhor comentário aqui...